Santo Sudário seria uma fraude?

Uma peça de linho que mede quatro metros de comprimento, pouco mais de um metro de largura, guardada em Turim, na Itália. Diz a tradição (Católica) que este seria o pano que envolveu o corpo de Jesus Cristo depois da crucificação.

A Igreja (Católica) jamais afirmou que o Sudário fosse uma relíquia autêntica. Mas o Papa João Paulo II já beijou o tecido e rezou diante do Sudário.

História

 

Durante décadas, cientistas examinaram cada centímetro, cada marca impressa no linho, na busca de evidências que comprovassem: o rosto que aparece no linho é mesmo de Jesus Cristo.

Em 1988 um duro golpe para aqueles que acreditavam na autenticidade do Sudário de Turim. Três laboratórios internacionais, nos EUA, Inglaterra e Suíça, chegaram à conclusão de que o tecido do Sudário não era da época de Cristo e sim da Idade Média. Não demorou muito tempo para que o cientista russo Dimitri Kusnetshov se transformasse numa espécie de salvador do Sudário.

Kusnetshov questionou os resultados do teste de carbono 14 com uma tese: um incêndio em 1532, que atingiu o Sudário, teria alterado a composição do carbono do tecido, provocando um rejuvenescimento do pano e, portanto, uma datação errada. O linho, segundo ele, poderia mesmo ser da época de Cristo.

Os defensores do Sudário de Turim festejaram a tese. Ainda mais porque foi um ateu russo a defendê-la. Kusnetshov divulgou os seus experimentos. Publicou artigos em revistas de prestígio internacional. Disse ter usado pedaços de linho antigo, tirados de túmulos de importantes famílias da Irlanda, para sustentar sua tese. Ele teria aquecido as amostras de pano e elas teriam rejuvenescido.

Questionamentos

 

Mas um homem ficou intrigado: o físico Gian Marco Rinaldi estuda os argumentos dos defensores do Santo Sudário e ironiza: “Alguns homens da Idade Média não economizavam esforços para demonstrar sua fé. Eram mestres na arte de falsificar relíquias”.

Rinaldi começou a trocar correspondência com o cientista russo e a investigar suas alegadas pesquisas. A primeira suspeita: as amostras de linho irlandês.

“Pareceu muito estranho, porque ele falou que tirou as amostras de túmulos de personagens muito importantes da história irlandesa,: um antigo rei, um lorde Kilemor, um conde de Kildern, uma dinastia muito importante. Eu me perguntei: teriam os irlandeses dado a um russo esses pedaços de tecido da tumba de pessoas assim tão importantes? Entrei em contato com os irlandeses e eles responderam que os túmulos nunca foram abertos, que não existem as pessoas que teriam doado o tecido”, conta Rinaldi.

Na segunda investigação, o italiano pesquisou a procedência dos tecidos russos, que Kusnetshov disse ter conseguido em museus do seu país. Também aqui o professor Rinaldi comprovou o que chama de fraude científica. “Procurei a instituição em que ele teria feito um experimento e não a encontrei. Os museus também não existem. Apurei que nenhum laboratório da Rússia seria capaz de fazer a datação com o método que Kusnetshov afirma ter empregado”, acusa Rinaldi.

Quer dizer que uma temperatura muito alta não pode mudar a proporção de carbono 14 num tecido? “Não, de jeito nenhum. É um resultado inverossímil. Nenhum cientista que trabalha realmente com carbono levou isso a sério. Mas para os defensores do Sudário, bastou”.

O físico Gian Marco Rinaldi contesta as evidências apontadas pelos defensores do Santo Sudário. Primeira delas: especialistas da Nasa descobriram que o rosto não é uma pintura comum – ele é tridimensional, como se o pano tivesse realmente envolvido um corpo.

“O artista que fez esta imagem não queria fazer um quadro normal, não queria pintar como os pintores, reproduzindo a luz que vemos num rosto. O rosto, ele pintou com o método de alto relevo. Pôs o pano numa espécie de molde. Para desenhar o corpo, pode ter usado um corpo humano coberto com um lençol”, detalha o físico.

O que diz Gian Marco Rinaldi sobre as marcas que seriam o sangue de Jesus?

 

“Estas marcas de sangue mostram que é uma pintura. O sangue, se furarmos a cabeça de um homem, vai se misturar com os cabelos. Não vai fazer estas gotas nítidas que escorrem como vemos aqui, onde deveriam estar os cabelos”

Os defensores do Sudário insistem: eles teriam comprovado que estas marcas são mesmo de sangue humano. “Os cientistas encontraram resultados diferentes. Tiraram amostra de material do Sudário com fita adesiva. Alguns dizem que há presença de sangue, outros, de tinta, pigmento natural e óxido de ferro. Até que não se façam outros exames, não se pode saber.

Um falsário do ano de 1300 poderia muito bem usar tinta misturada com sangue, para tornar tudo mais verdadeiro”, diz Rinaldi, que publicou as denúncias na revista italiana “Scienza & Paranormale”, de cientistas que desmascaram os truques de supostos paranormais.

Ele faz um apelo ao russo Dimitri Kusnetshov: “Espero que Kusnetchov dê uma resposta. Eu escrevi, mas quando ele percebeu as minhas suspeitas, não respondeu. Espero que ele saia do silêncio e venha dar a sua versão”.

Saiba mais no vídeo:

 

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